01/11/2018 IT Filmes

Biografias de Elza Soares e Freddie Mercury nos destaques do cinema do fim de semana

 

‘My Name is Now’ e ‘Bohemian Rhapsody’ contam histórias com linguagens diferentes

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S. Paulo

01 de novembro de 2018 | 06h00
Atualizado 01 de novembro de 2018 | 09h54

Em My Name is Now – Elza Soares, a diretora mineira Elizabeth Martins tem o desafio de mostrar ao público alguém que dispensa apresentações. Elza, a grande cantora, sambista, companheira de Mané Garrincha, musa de tantas gerações. Elza, que atravessou tragédias e soube, como poucas, se reinventar e reencontrar a alegria, do outro lado do rio.

 

Cena de My Name is Now Foto: Duda Las Casas

 

Essa é a Elza que aparece no filme, num estudo de rosto, sofrido, marcante, marcado, porém tão expressivo. Elza que, apresentando-se no programa de Ary Barroso, e indagada pelo ácido apresentador de onde viera, respondeu, de bate-pronto: “Venho do país da fome”.

Essa mulher, que conheceu tantas vitórias e derrotas, é associada ao mito do Fênix, ave que renasce das próprias cinzas. Essa referência mítica dá o tom a um filme que prefere a linguagem alegórica à realista. Evita assim o que seria uma redundância na caracterização da personagem pública que Elza, desde o início da carreira, nunca deixou de ser.

A cantora magnífica, que usava o gogó e empunhava o microfone com a ginga que o morro lhe deu, não cessou de mudar e se refazer. Poderia ter ficado na, como hoje se diz, zona de conforto, mas inovou na vida, no repertório e no público, hoje dirigindo-se à nova geração e tornando-se musa da vanguarda.

Elza também que é dona de uma pegada jazzística e foi comparada, por Louis Armstrong, a outra diva, Billie Holiday. Vê-la e ouvi-la, dominando a arte do scat singing dos grandes mestres negros norte-americanos, é um prazer incomparável.

O filme passa por tudo isso, e, com a câmera colocada rente ao rosto da artista, em super close, conta o que ela mesma tem a dizer sobre si. Como essas palavras duras: “Aprendi a cantar carregando lata d’água na cabeça, subindo o morro”.

Elza Soares é mais do que uma cantora, mais ainda que uma artista no completo domínio de sua arte. É expressão de um Brasil que podia ser pobre, miserável mesmo, mas era um país talentoso. Bem diferente da vulgaridade atual.

Freddie Mercury e a vida feita para se tornar filme

Bohemian Rhapsody 

(EUA, 2018, 132 min.)

Direção de Bryan Singer, com Rami Malek, Lucy Boynton

Todos os componentes para uma grande saga estiveram na vida real de Freddie Mercury. Conflitos, e muitos, paixão, pecados, redenção, talento e dor. Bohemian Rhapsody é dos filmes que nasce para dar certo e que só uma derrapada absurda de roteiro ou de direção poderia tirar do curso. Assim, essa celebração ao rock and roll e à banda que deu dimensão muitas vezes operística ao gênero surge no tempo certo. Alguns estereótipos são implodidos pela força de Mercury, e os momentos em que ele está no palco falam por si. O concerto do Live Aid, com o líder já sofrendo por ter contraído a Aids, é dos mais comentados.

Link matéria: https://goo.gl/sYGLEA

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